... Inverno. A noite impera soberana no céu da cidade. Um vento cortante castiga os que passam. Dentro do restaurante, o ambiente é caloroso. A atmosfera satisfatória. Em uma das mesas, avista-se uma cesta cheia de suculentos morangos, que se oferecem indecentemente. O local está lotado. Ao lado, em outra mesa, oferecem-se os mais variados drinques, apropriados ao clima de inverno, o que atiça os desejos dos que a cercam. Subitamente, uma mulher entre no restaurante, morena, alta, cabelos longos, corpo escultural, sugerindo-lhe o gosto pela educação física e o cuidado com o corpo. Logo em seguida, dirige-se à minha mesa, perguntando-me se poderia ali ocupar o lugar vago. Eu, como que envolvido de um feitiço de cima a baixo, mudo, apenas com a cabeça, aceno em um sim ansioso. Meus olhos devoram-na por completo. De repente, este ato começa a ser imitado por todos. Também queriam sentir aquela sensação de bem estar, bom, bem estar não é a palavra certa, Talvez inveja. Na verdade, não existem palavras para descrever essa sensação...
Foram-se os deuses, foram-se, é verdade,
Mas das Deusas alguma existe, alguma
Que tem o teu corpo, teu ar, tua majestade,
Teu porte e aspecto. És tu mesma em suma.
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Ao ver-te com esse andar de ansiedade,
Como que arcada de invisível bruma,
Eu, do Olimpo me lembro com saudade,
Pois que nessa crença antiga se acostuma.
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De lá trouxeste o olhar sereno e garço,
O alvo colo onde, quedas de ouro tinto,
Deixa-se rolar o teu cabelo esparso.
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E nessa tristeza de estátua eu me enlaço,
A ti, para ti, escrevo o que cultuo e sinto,
Nesse culto à beleza, a forma do teu traço.